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Bruxas, fantasmas, lobisomens e muito mais: 6 lendas assustadoras de Florianópolis

Não é à toa que Florianópolis é também conhecida como a Ilha da Magia. As lendas e casos sobrenaturais são contados há décadas por todos os cantos da cidade. Basta conversar com um antigo morador para ouvir inúmeras histórias envolvendo bruxas de arrepiar, lobisomens assustadores, ilhas cheias de fantasmas, luzes misteriosas, e situações sinistras que só acontecem à noite e em Floripa. Se nos Estados Unidos o Halloween é comemorado em 31 de outubro, em Florianópolis todo o dia é Dia das Bruxas.

Aqui na Ilha existe uma crença popular para os novos moradores. Segundo a crença, é preciso pedir licença para as bruxas para que os novos moradores consigam ter uma vida tranquila em Floripa. Elas são as figuras principais das lendas contadas pelos nativos. Conta-se que elas assustavam os pescadores, roubavam seus barcos e brincavam com as suas tarrafas. Uma de suas diversões favoritas também era dar nós nas crinas dos cavalos. São elas, as bruxas, as principais protagonistas dos contos de Franklin Cascaes, historiador e folclorista que narrou e publicou dezenas de causos e lendas da Ilha da Magia.

Vamos conhecer algumas dessas histórias de arrepiar?

 A festa das bruxas em Itaguaçu

Essa é uma das lendas mais famosas da cidade – até por que está eternizada em uma placa de metal em uma das pedras do bairro Itaguaçu, no Continente. Quem já foi à região pode contemplar dezenas de enormes pedras que pairam “sobre” as águas calmas de Itaguaçu. A vista é linda, mas a lenda por trás das pedras esconde uma história de dar medo!

Conta a lenda que as bruxas viviam disfarçadas no meio da população em Florianópolis. Certo dia, uma delas resolveu organizar uma grande festa. Itaguaçu foi o local escolhido. Os seres das matas, dos mares e da natureza foram convidados: boitatás, curupiras, mulas-sem-cabeças, lobisomens, todas as bruxas, entre muitos outros. Em assembleia, as bruxas decidiram não convidar o diabo por conta de seu intenso fedor de enxofre e pelas suas atitudes anti-sociais, pois ele exigia que todas as bruxas lhe beijassem o rabo como forma de firmar seu poder debochadamente absoluto.

A festa corria às mil maravilhas, todos dançavam e se divertiam. Acontece que uma das bruxas tinha contado para o Diabo o que estava acontecendo. Entre raios e trovões, ele apareceu na festa de surpresa. Furioso por não ter sido chamado para o evento, o demônio transformou as bruxas que estavam ali em pedras e todo o local em mar. As lindas pedras de Itaguaçu seriam, então, as bruxas petrificadas e eternizadas sobre as águas.

 

O lobisomem de Ratones

A criatura que é metade homem e metade lobo e povoa o folclore de diversas culturas também andou aparecendo pela Ilha. Conta a lenda que houve um caso muito conhecido em Ratones, no Norte da cidade, que causou burburinho em toda a comunidade.

Morava em Ratones uma mulher casada, que tinha um filho, e sempre que o marido saía à noite, ela ia banhar o menino em uma gamela. Mas sempre que isso acontecia, um cão aparecia no local e tentava morder o menino. Ele logo era espantado por ela. Certo dia, a mulher deu uma pancada mais forte no bicho. Ele ficou enfurecido e rasgou a saia de baeta dela antes de ir embora. No dia seguinte, a mulher ficou em choque! Os fiapos da sua saia estavam presos nos dentes do seu marido.

O lobisomem, segundo reza a lenda, é o primeiro ou sétimo dos filhos de um casal, o qual tem um fado triste a cumprir. Tal qual a bruxa, para evitar-se essa desgraça, o irmão mais velho deve batizar o mais moço. Ou então o lobisomem deve levar uma pancada forte na cabeça para perder o encantamento, como ocorreu com o lobisomem de Ratones.  

 

A Joaquina da praia

Esta não é uma história que envolve seres fantásticos e criaturas místicas, mas sim uma história triste de amor e tragédia envolvendo uma linda jovem chamada Joaquina, filha de seu Aparício e dona Aninha. Diz a lenda que no século XIX a mulher perdeu a mãe e o avô. Depois disso, com medo que o pior acontecesse, pediu que o amado, Alberto, não fosse mais para alto mar. Ele lhe prometeu que aquela seria a última vez que ele partiria. E foi. Pois Alberto nunca mais voltou.

Mesmo morando na Lagoa, apesar da recusa do pai, ela passou a atravessar as dunas até a praia do mar grosso justificando tirar mariscos das pedras do costão para ajudar no orçamento da casa. Na verdade, os passeios serviam para que, olhando o mar, lembrasse do seu eterno amor e para ver se, por um milagre, ele voltaria.

Joaquina ficou na amargura. Passava os dias apenas contemplando o mar e a lua com saudade de Alberto. Passados alguns anos, a moça demonstrava sinais de mulher sofrida e maltratada pela saudade. Certa manhã, seu pai Aparício morreu em casa, em sua cama. Assim, Joaquina deixou a Lagoa para morar na praia do mar grosso, isolando-se numa casa ao pé do costão. Ao amanhecer de um dia de setembro sobre a areia da praia, Joaquina foi encontrada morta. A partir daí, a praia do mar grosso passou a ser conhecida como a praia da Joaquina.

 

Os fantasmas de Anhatomirim

O nome da Ilha de Anhatomirim por si só já diz muito. Em tupi, Anhatomirim significa “a pequena ilha do diabo”. Os índios previram que coisas terríveis aconteceriam, séculos mais tarde, nesse pequeno pedaço de terra. Muitos foram enforcados e, no pós Revolução Federalista, 185 presos políticos foram fuzilados.  Dizem que até hoje depois do entardecer ainda podemos ver e ouvir os fantasmas dos que foram mortos, sentados nas pedras em volta de um tronco de araçazeiro. Muitos afirmam que é possível ouvir estampidos e muito choro nas altas horas da noite. Seriam as almas dos sacrificados na ilha de Anhatomirim. Credo!

Ilha de Anhatomirim em Florianópolis – SC

 

O monge da Ilha do Arvoredo

Era 1848 e os moradores de Ponta das Canas, Canasvieiras e Porto Belo começaram a avistar uma “fogueira ardendo todas as noites” em uma das encostas da ilha. Curiosos para saber do que se tratava, alguns corajosos foram até a ilha em busca de explicações. Encontraram então um monge misterioso.

Ele era um senhor idoso, alto, que vestia um burel remendado e tinha longas barbas brancas. De acordo com os primeiros pescadores que para lá se dirigiram, o monge “andava fazendo vida santa”, mas também ensinava rezas e curava doentes com benzeduras e cozimentos. A todos que o procuravam em sua furna na Ilha do Arvoredo, recebia com carinho. O monge operava curas ditas milagrosas, quase magia. Em pouco tempo, uma peregrinação de doentes e devotos, que eram conduzidos em pequenas frotas de canoas e lanchas, se estabeleceu entre todos os povoados do litoral próximo e à ilha em busca de cura.

Mas de repente, em um piscar de olhos, assim como apareceu, o monge não foi mais visto. E virou uma lenda da região. Até hoje não se sabe qual foi o paradeiro do monge. O local em que ele foi encontrado passou a ser conhecido como a Gruta do Monge.

 

A Luz do Bota

Chamada de Luz do Bota ou Luz que Aparece, ela é um mistério lá na região dos Ingleses e Rio Vermelho. As histórias dos manezinhos mais velhos dão conta de que é uma intensa luz vermelha (outros dizem que é verde), que aparece na região e projeta a sombra enorme de uma bota. Ninguém sabe ao certo o que ela é ou o que ela faz, mas todos a evitam quando ela aparece. E olha que são dezenas de pessoas que afirmam já terem avistado a tal luz!

De acordo com os moradores locais, essa luz aparecia à noite, partindo de dentro do mar e caminhava pela linha do horizonte, do lado esquerdo da Praia dos Ingleses (Ponta do Bota) até o lado oeste. Conta a lenda que era durante as pescarias da noite, nos Ingleses e no Rio Vermelho, que os pescadores avistavam a luz vermelha sobrevoando. Era pequena, mas quando pousava nas dunas ou em algum outro lugar próximo, ela aumentava tanto a sua intensidade que dava a impressão de ser uma grande fogueira. Muitas vezes, a luz fazia apenas um passeio rápido e depois, se ninguém mexesse com ela, ia subindo ao céu e desaparecia.

Dizem que o remédio para se proteger era rezar. Além da reza havia outros artifícios usados para se proteger da luz: colocar uma faca atravessada na boca ou então desenhar uma estrela de cinco pontas na areia e ficar dentro dela. Mas apesar de todos os cuidados dos pescadores, muitas vezes a luz chegava a ficar muito próxima, deixando os pescadores de cabelo em pé. Dizem que nunca aconteceu nada. Mas todo mundo que a avistou saiu correndo!

 

Franklin Cascaes eternizou as superstições da ilha

Muitas das lendas que surgiram na ilha nasceram quando os colonos portugueses chegaram ao local e perceberam que alguns aspectos causavam medo na população. Por isso, muitas lendas surgiram em locais onde se instalaram as primeiras comunidades de imigrantes açorianos.

Os pescadores saíam de madrugada para pescar e viam “coisas” que não sabiam explicar, em pleno alto mar e em lugares escuros.

Grande parte dessas lendas foi eternizada pelas mãos do historiador e folclorista Franklin Cascaes, que durante boa parte da vida expressou a cultura açoriana por meio da arte na Ilha. Por meio da cultura, realizou grandes estudos sobre os aspectos folclóricos, suas lendas, questões culturais e superstições que eram contadas no local. Conheceu diversas das lendas que hoje são contadas por antigos moradores da cidade de Florianópolis. Foi por meio dele que foram registradas as lendas, causos e costumes que eram repassados de boca em boca por Floripa.

Estima-se que Franklin tenha coletado cerca de cinco mil peças e letras sobre superstições, relatando manifestações fantásticas e lendas que ouviu durante sua vida em conversas com pescadores e moradores ilhéus. Seu principal acervo encontra-se sob a guarda da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

 

UFA! Depois dessas histórias de dar medo, é melhor tentar afastar as coisas ruins né? Segue então uma reza bem manezinha contra as bruxas ruins da Ilha:

 “Pela cruz de São Saimão que te benzo

Com a vela benta da Sexta Feira da Paixão

Treze raios tem o sol, treze raios tem a lua,

Salta demônio para o inferno que esta alma não é tua

Tosca, marosca, rabo de mosca,

Aguilhão nos teus pés e relho na tua bunda

Por cima do silvado, por baixo do telhado,

São Pedro, São Paulo e São Fontista,

Dentro de casa de São João Batista

Bruxa, tatatabruxa, não entres nesta casa

Nem nesta comarca toda, por todos os Santos dos Santos

Amém.”

 

Felipe Coin Bacichette
Felipe Coin Bacichette
Felipe fornece as informações técnicas e mercadológicas para a produção de todo o conteúdo do Blog Santa Ilha. É administrador de empresas, especialista no mercado imobiliário e apaixonado pela arte de entender e atender as pessoas. Gaúcho de Caxias do Sul, foi lá que iniciou a vida de empreendedor e adquiriu experiência em grandes marcas do mercado imobiliário. Mora em Florianópolis-SC desde 2013, onde fundou a Santa Ilha Imóveis e encontrou o equilíbrio entre a realização profissional e a qualidade de vida. É casado e tem uma filha que já nasceu com os pés na areia ; )

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